Considerações sobre a ocorrência da doença canela-preta em canola e o cultivo de material suscetível.
27/09/2013
Considerações sobre a ocorrência da doença canela-preta em canola e o cultivo de material suscetível.
A canela-preta, doença causada pelo fungo Leptosphaeria maculans (Desm.) Ces. et de Not./Phoma lingam (Tode:Fr.) Desm., causou prejuízos no Rio Grande do Sul e no Paraguai desde o ano 2000 (http://www.cnpt.embrapa.br/biblio/bp/p_bp26.htm) e na Argentina (http://www.apsnet.org/pd/searchnotes/2005/PD-89-0435B.asp>.), desde 2004. O grupo de patogenicidade da canela-preta presente no Brasil, no Paraguai e na Argentina é o mesmo que ocorre na Austrália. Os materiais considerados resistentes no Canadá e na Europa se mostraram altamente suscetíveis e com grande risco de perdas no Sul do Brasil, no Paraguai e em determinadas áreas da Argentina. A alta capacidade de evolução deste fungo constitui desafio ao melhoramento genético visando a disponibilizar cultivares com resistência durável. Em outras palavras, são necessários esforços contínuos para gerar e disponibilizar novos genótipos resistentes às populações do agente causal que se desenvolvem pela pressão de seleção sobre os genes de resistência presentes nas cultivares em uso nas lavouras (Howlett, B.J. 2004. Current knowledge of the interaction between Brassica napus and Leptosphaeria maculans Can. J. Plant Pathol. 26: 245–252).
Pesquisas coordenadas pela Embrapa Trigo permitiram iniciar, em 2003, o emprego de híbridos que, além de produtivos, possuem resistência à canela-preta, derivada de Brassica rapa ssp. silvestrys, alicerçando a retomada e aumentando a segurança no cultivo de canola no Brasil. Em 2006, iniciou-se a utilização de outros híbridos com resistência poligênica, os quais têm mantido a resistência ao fungo causador da canela-preta presente no País.
O emprego de híbridos com resistência ao grupo de patogenicidade verificado no Brasil, associado a outras medidas de precaução, contribuiu decisivamente para que não se tenha observado prejuízos causados por esta doença nas lavouras do Brasil nos últimos anos (TOMM, G. O.; KUTCHER, H. R.; EASTON, A. Eradication of Blackleg disease of canola in Brasil - a sucess story. In: INTERNATIONAL CROP SCIENCE CONGRESS, 6., 2012, Bento Gonçalves. [Proceedings...]. [S. l.: International Crop Science Society, 2012]. 1 pen drive. Poster presentation- Agronomy, Resumo 3191.).
Durante três safras (2010 a 2012), não foi verificado tombamento de plantas de canola em função da canela-preta Brasil. Todavia, no ano de 2013, novamente se observou o tombamento de plantas de híbrido incluído como testemunha suscetível em experimentos conduzidos em Três de Maio e em Giruá, RS. Constatou-se, também, que alguns genótipos recentemente disponibilizados no mercado se mostraram suscetíveis à canela-preta.
Nesse contexto, cumpre-nos alertar que eventual expansão da área semeada com cultivares suscetíveis à canela-preta pode levar ao ressurgimento de prejuízos nas lavouras e à insegurança no cultivo de canola no Brasil, aumentando o custo de produção e reduzindo a competitividade da cultura.