Ciência leva canola ao Cerrado e à região do Semiárido.

03/JUL/2019

 

 

Pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Agroenergia(DF) com o objetivo de tropicalizar a canola (Brassica napus L.) já obtiveram ótimos resultados no Cerrado e começaram experimentos em locais de clima Semiárido. Em lavouras no Brasil Central, os cientistas registraram produtividades de até três mil quilos por hectare (kg/ha), número que ultrapassa o dobro da média nacional de 1,3 mil kg/ha, observada na mesma safra de 2016/2017 pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O trabalho de tropicalização da canola contou com os primeiros experimentos em 2004, com a colaboração de universidades e assistência técnica nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraíba. Segundo o pesquisador da Embrapa Trigo (RS) Gilberto Tomm, a introdução da cultura em baixas latitudes (entre 6 e 13 graus), em clima tropical, é uma iniciativa inédita no mundo.

Até então, a indicação de cultivo estava limitada às regiões de clima temperado e latitudes entre 35 e 55 graus. A latitude está relacionada à distância da Linha do Equador, que cruza o norte do Brasil. Quanto mais próximo ao Equador, maior a temperatura e maior a incidência de luz solar. A luminosidade é benéfica ao cultivo da canola, mas as altas temperaturas não. Esse é o maior desafio na identificação dos locais mais indicados ao cultivo.

Em abril de 2019, um novo experimento com 16 materiais genéticos foi colocado a campo em Plantaltina (DF) para comprovar e adaptar a canola no Cerrado. Enquanto isso, a pesquisa com a tropicalização da canola no Semiárido brasileiro, dentro das ações do Nextbio, vai avaliar o comportamento de diferentes cultivares na região. “A ideia é investigar quais cultivares apresentam maior adaptabilidade às condições climáticas do Nordeste e, a partir deles, desenvolver cultivares específicos para a região”, revela o pesquisador Bruno Laviola

Canola é opção para a safrinha

A canola possui ciclo entre 110 a 130 dias e é opção de cultivo de safrinha no Cerrado, em sucessão a cultura da soja ou milho, por exemplo. O óleo de canola pode ser utilizado para fins alimentícios, e para a produção de biocombustíveis (biodiesel e bioquerosene), além de outros usos bioeconômicos.

“A implantação do cultivo de canola com híbridos modernos, em condições de pelo menos 600 metros de altitude e determinado nível de precipitação, tem garantido o desenvolvimento satisfatório e demonstrando a viabilidade para expandir a produção de canola, como segunda safra anual nas atuais áreas de produção de soja e outros grãos”, avalia Tomm, destacando que o Brasil tem potencial de manter até nove milhões de hectares de canola, apenas otimizando a área agrícola, sem precisar derrubar árvores ou converter áreas de pastagem para a produção de grãos.

A canola

A canola é a terceira oleaginosa mais importante no mundo, ficando atrás do dendê e da soja. Utilizada em vários segmentos do mercado, ela tem ganhado cada vez mais espaço no segmento alimentício, impulsionada tanto pela qualidade nutricional quanto pelos benefícios comprovados à saúde, como redução do colesterol e o risco de doenças cardíacas, a oleaginosa é fonte de ômega 3 e vitamina E.

No mercado mundial, a canola também é matéria-prima para produção de biocombustíveis (biodiesel e bioquerosene), gerando um óleo de bom desempenho em ambientes de baixas temperaturas, como o Canadá, Norte da Europa e o sul do Brasil. A canola pode produzir mais que o dobro de óleo comparada à soja.

Pelo fato de produzir um óleo de altíssima qualidade, tanto para alimentação humana quanto para produção de biodiesel, a canola tem forte demanda, proporcionando uma oportunidade de mercado e preços atraentes e estáveis.

No Brasil, o rendimento de 1.300 kg/ha, em média, dos cultivos comerciais da Região Sul, tem revertido em bom resultado econômico aos produtores, com custos de produção menores em comparação aos cereais de inverno, e preço de mercado equiparado à cotação da soja, atribuindo a canola o título de “soja de inverno”.

A produção brasileira em 2018 foi de 50 mil toneladas, com cultivos concentrados no Rio Grande do Sul, onde a oleaginosa favorece culturas subsequentes por meio do resíduo de fertilizantes. Naquela safra, foram observados melhores rendimentos no milho (até +32%) e no trigo, entre 10% a 20% maior. Na soja, o aumento na média de rendimentos chegou a 500 kg/ha de grãos, em comparação a áreas de pousio ou cultivo não adubado.

Para o cultivo de canola, existe um conjunto de tecnologias e informações como o zoneamento agrícola disponíveis no site da Embrapa Trigo, que coordena nacionalmente as pesquisas com a cultura.


Canola no Semiárido

 

Outra novidade, dentro das ações do Nextbio, é a pesquisa com a tropicalização da canola na região do Semiárido brasileiro, que vai avaliar o comportamento de diferentes cultivares na região. “A ideia é investigar quais materiais apresentam maior adaptabilidade às condições climáticas do Nordeste e, a partir deles, desenvolver cultivares específicos para a região”, conta Laviola.

No Campo Experimental da Embrapa Meio Norte em Parnaíba (PI) foram implantados experimentos para avaliar diferentes genótipos e o efeito da irrigação. De acordo com o pesquisador, o objetivo é fazer da canola também uma opção de ciclo curto aos agricultores do Semiárido, região em que o período chuvoso dura em torno de três a cinco meses.

As ações do Nextbio envolvem o primeiro programa público de melhoramento da canola no Brasil para o Cerrado. “Nos próximos anos esperamos ter as primeiras cultivares de canola desenvolvidas e recomendadas para as regiões tropicais do Brasil”, revela Laviola.

 

 

 

 

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